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 Aqui estão mais exemplos:


Ela gostava de arroz com feijão.

Ela gostava do arroz com feijão da avó dela.

Veja que, no enunciado sem artigo, sabemos que alguém gosta de arroz com feijão, um prato qualquer sem especificidade. No segundo caso, ao usar-se o artigo “o”, contraído com a preposição “de”, cria-se um efeito de especificidade: não é de qualquer arroz com feijão que ela gosta, mas de um especial (que vem explicado na sequência: o da avó dela).


Eu adoro estar em eventos culturais.

Eu adoro estar nuns eventos culturais.

Eu adoro estar nos eventos culturais.

No enunciado sem artigo, entende-se que a pessoa gosta de estar em qualquer evento cultural, sem especificação. Já no segundo caso, é possível entender que a pessoa gosta de estar em alguns eventos culturais — não está especificado em quais, mas fica subentendido que não é em qualquer evento cultural. Por fim, no terceiro caso, o uso de artigo definido antes de “eventos culturais” já é a própria especificação: ela gosta de estar especificamente em eventos culturais (e não em qualquer evento).


Eu vou a cerimônias.

Eu vou a umas cerimônias.

Eu vou às cerimônias.

Veja que o verbo “ir” exige a preposição “a”. Assim, no primeiro enunciado, não há artigo, apenas preposição, indicando que a pessoa costuma ir a qualquer cerimônia. No segundo caso, com o artigo indefinido (que não se contrai com a preposição “a”), está dito que a pessoa costuma ir a algumas cerimônias, sem especificar em quais. No último caso, com a contração da preposição “a” com o artigo “as”, o substantivo “cerimônias” está especificado: trata-se de cerimônias já citadas ou das quais os dois interlocutores têm conhecimento.


Atenção: na linguagem informal e coloquial, ocorre a contração da preposição “para” com os artigos, gerando as formas: pro, pra, pros pras, prum, pruma, pruns, prumas. Entretanto, lembre-se de que essas formas não são aceitas na linguagem formal. Exemplos:


Eu contei isso pruns amigos.

Eu contei isso pros amigos.

Enquanto no primeiro enunciado o substantivo “amigos” está generalizado, indicando que um dos interlocutores não sabe quem são os amigos, no segundo enunciado o artigo especifica o substantivo “amigos”, mostrando que ambos os interlocutores sabem quem eles são.


Veja também: Usos particulares da preposição


Os artigos auxiliam na determinação de gênero e número do substantivo que eles acompanham.

Os artigos auxiliam na determinação de gênero e número do substantivo que eles acompanham.

Outras funções dos artigos

O uso dos artigos gera alguns efeitos no texto além dos que já aprendemos.


Substantivação

O artigo pode substantivar palavras que pertenceriam originalmente a outras classes gramaticais, como adjetivos ou verbos. Por exemplo:


O participar é mais importante do que o ganhar.


No enunciado, “participar” e “ganhar” teriam, normalmente, valor de verbo, porém os artigos antes deles os substantivam (fazendo com que “participar” seja sinônimo de “participação”, e “ganhar”, de “vitória”).


O castanho dos seus olhos é especial.


Agora, “castanho”, que teria valor de adjetivo (em “olhos castanhos”), foi substantivado, passando a ser substantivo no enunciado.


Atenção: um artigo pode referir-se a um substantivo mesmo que o adjetivo tenha sido posto entre os dois.


Há uma corajosa menina por aqui.


No enunciado anterior, “uma” faz referência ao substantivo “menina”, e não ao adjetivo “inteligente”. Seria possível inverter as posições: “Há uma menina corajosa por aqui”.


Recurso expressivo

O artigo indefinido também é utilizado como recurso expressivo de algumas frases feitas. Por exemplo:


Estou com uma fome!


Embora não seja estritamente necessário nesse enunciado, o acréscimo do artigo indefinido gera um recurso para expressar com mais intensidade a fome sentida.


Indicar posse

Artigo definido antes de partes do corpo ou de palavras que determinam parentesco pode indicar posse. Por exemplo:


Enquanto ela chorava, o avô tentava consolá-la.

Eu não sei onde estou com a cabeça.

Nos dois enunciados, o artigo definido deixa nítido que se trata do avô do sujeito “ela” e da cabeça do sujeito “eu”, sendo omitidos os respectivos pronomes possessivos (“o avô dela” e “a minha cabeça”).


Indicar valor aproximado

Artigo indefinido antes de numeral pode indicar valor aproximado devido à sua natureza de generalização. Por exemplo:


Faltavam umas duas horas antes de começar o baile.

Há uns 20 quilômetros pela frente até chegarmos lá.

Mais comum na linguagem informal, esse recurso substitui expressões como “aproximadamente”, “em média” e “por volta de” pelos artigos indefinidos.


Agora que já vimos a importância dos artigos e como eles afetam os substantivos, que tal treinarmos um pouco com exercícios?

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fonte:https://mundoeducacao.uol.com.br/gramatica/artigo.htm

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